segunda-feira, 16 de junho de 2014

Death stalking you! (A morte te espreita!)


Prezados Amigos e Seguidores do blog apresento as fotos de mais um trabalho terminado.
A demora as vezes é necessária, pois os detalhes as vezes não são tão simples de serem aplicados.
Alterei o título inicial, pois procurei dar uma definição que tivesse algo a ver com a presença/surpresa de algo no Diorama. A presença de um soldado americano armado, escondido (ajudado) pelo padre na torre da igreja, tanto pode dar a conotação de um ataque surpresa que poderia ocorrer durante o sepultamento do soldado alemão, quanto a possibilidade deste soldado americano ter sido o algoz do soldado alemão que será sepultado. Tirem suas próprias conclusões, deixando a sua imaginação trabalhar.
Bem, de um jeito ou de outro procurei caprichar neste novo trabalho, espero que gostem...

-.-.-


Espero que tenham apreciado.
Até o próximo post.
Forte Abraço!
Osmarjun

sexta-feira, 6 de junho de 2014

06-06-1944 - O MAIS LONGO DOS DIAS...


THE LONGEST DAY

O MAIS LONGO DOS DIAS...

70 ANOS DO DESEMBARQUE ALIADO NA NORMANDIA

HOMENAGEM DO BLOG AOS HERÓIS QUE ATUARAM NO MAIOR CONFLITO ARMADO DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE, A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL!

Sem ele seria impossível imaginar o mundo de hoje, não sei se pior ou melhor, 
o fato é que o sacrifício destes heróis mudou para sempre a forma do ser humano 
encarar a vida e a morte!
Deixemos que algumas imagens falem por nós
















THE LONGEST DAY



Minha singela homenagem aos heróis do Dia D

Osmarjun

segunda-feira, 14 de abril de 2014

A Conquista de Montese 14/04/45



O 3º Pelotão da 2ª Companhia do 11º Regimento de Infantaria, ocupava, desde 10 de março de 1945, a posição defensiva da Região de Biccochi, Cota 930, quando, às 5h do dia 12 de abril, recebeu ordem, por via telefônica, para organizar uma patrulha de reconhecimento, que, sob o comando de um sargento, teria por missão reconhecer a elevação de Montaurigula e, caso não encontrasse resistência, chegar até Montese.

A patrulha, fortemente armada, com 21 homens, sendo três especialistas em minas, partiu às 9h da sua posição de combate (Biccochi), alcançando Montaurigula sem resistência. Galgou essa elevação e progrediu na encosta sul, rumo geral leste-oeste. Após atingir a metade da elevação, que possuía a forma de uma colina alongada, encontrou um campo de minas antipessoal; o esclarecedor da patrulha já havia caminhado alguns passos dentro do campo, quando percebeu, por sorte e felicidade, as minas, pois algumas achavam-se expostas. Passou, então, a atuar a equipe de minas, retirando 82 minas antipessoal.

"Na jomada de ontem, só os brasileiros mereceram as minhas irrestritas congratulações; com o brilho de seu feito e seu espírito ofensivo, a Divisão Brasileira está em condições de ensinar às outras como se conquista uma cidade".
Gen Crittenberger - Cmt IV Corpo de Exército

Após cerca de 2 horas de espera, a patrulha transpôs o campo minado, prosseguindo na missão.


O moral da tropa atacante era alto; havia gana por parte de alguns soldados, o que levou o comandante do pelotão a conter aqueles que se expunham inutilmente.

Quando o comandante do pelotão realizava os reconhecimentos para assaltar algumas casas "suspeitas" no flanco direito do inimigo, recebeu ordem do comandante da companhia para se desengajar e afastar-se das casas, posto que o Batalhão iria bombardear as resistências inimigas com morteiros 81mm, visando facilitar a conquista do objetivo.

Ao ultimar o reconhecimento de outro flanco, o comandante da patrulha recebeu ordem para retrair, porque a Artilharia Divisionária iria atirar na região e a patrulha já havia ultrapassado, em muito, o tempo programado.

FASES DO ATAQUE A MONTESE - A conquista da cidade de Montese, que era a missão principal da 2ª Companhia, foi planejada para ser realizada em duas fases bem distintas:

1ª Fase: Missão secundária, às 9h - ataque com dois pelotões a dois postos avançados do inimigo.

2ª Fase: Missão principal, às 12h - ataque à cidade de Montese, também com dois pelotões.


Na hora prevista, para a 1ª fase, os dois pelotões atacaram seus objetivos. O primeiro teve, inicialmente, o seu avanço prejudicado pela reação do inimigo, que conseguiu mantê lo à distância, pelos fogos. Assim, só conquistou o objetivo algumas horas depois.
O 2º Pelotão ficou detido em frente a um campo minado, batido por fogos da Infantaria. Nessa oportunidade, seu bravo comandante foi mortalmente ferido com um tiro na cabeça. Esse pelotão sofreu mais baixas e não atingiu o objetivo.
Às 11:45h, o comandante da companhia confirmou a "hora H" do ataque principal como sendo a prevista - 12h.
Na hora aprazada, o pelotão do 1º escalão transpôs, em linha, a crista, sob o espocar de foguetes de estrelas vermelhas, anunciando o ataque. A tropa ultrapassou os pontos mais elevados com grande rapidez, apesar do terreno íngreme. Após o pelotão ter vencido um terço do percurso, sua retaguarda foi batida por densa e compacta barragem de artilharia, que cortou o fio telefônico em vários pontos e colocou fora de combate um soldado da equipe de minas e outro de Saúde.


O grupo ponta, após pequeno deslocamento, parou e assinalou a existência de minas. O comandante do pelotão, ao chegar ao ponto assinalado pelo sargento, constatou, com satisfação, que não se tratava de um campo minado e sim de armadilhas, feitas com fios de arame ligados a minas antipessoal.

Ao chegar ao topo das elevações de Montese, o pelotão tinha perdido o contato com a companhia; o telefone não funcionava por terem os cabos sido rompidos pelos tiros da artilharia inimiga; o rádio deixou de captar e transmitir mensagens, por causa da distância e ondulações do terreno.

O segundo grupo empregado teve o seu avanço sustado por fogos vindos do flanco direito, tendo de permeio um terreno limpo.
Quando se preparava para tomar o dispositivo de assalto, foi surpreendido por inesperado e denso bombardeio da nossa Artilharia, que o envolveu e ao inimigo. Em seguida, atingiu as posições inimigas, quando não havia ainda se dissipado a fumaça das granadas. Os alemães permaneciam no fundo de seus abrigos, e já os nossos ultrapassavam suas posições, perfeitamente camufladas. Os alemães tentaram, então, reagir, mas foram postos fora de combate.

Rompidas as defesas, os grupos foram levados para a frente e empregados na consolidação da posição conquistada e nos ataques aos flancos inimigos.

O 2° Grupo de Combate, logo após juntar-se ao 1°, foi empregado para dominar resistências que hostilizavam nosso flanco direito. Postado em situação favorável e atirando de curta distância sobre um abrigo onde havia sido localizada uma metralhadora inimiga, fez com que os seus ocupantes levantassem um lenço, para logo em seguida se entregarem e as resistências silenciarem.

Depois de demorada luta, em que se conquistou o terreno palmo a palmo, conseguiu-se, no final do dia, dominar as resistências inimigas, fazendo-as retrair após sofrerem algumas baixas.

Ao cair da noite de 14 de abril, estavam dominadas as encostas sudoeste da cidade e quebrada a capacidade defensiva da infantaria alemã, que, desnorteada, abandonou suas posições, deixando no campo de luta alguns mortos e oito prisioneiros. Do nosso lado, houve quatro baixas, sendo um morto e três feridos.


Na noite de 14 para 15 de abril, Montese, não obstante encontrar-se sob domínio das tropas brasileiras, abrigava ainda elevado número de soldados inimigos, o que não impediu a artilharia alemã de desencadear sobre a cidade, naquela noite, cerca de 2.800 tiros.

Na manhã do dia 15, ainda debaixo de maciço fogo da artilharia alemã, a tropa brasileira ultimou a limpeza da cidade.
A conquista de Montese repercutiu favoravelmente nos altos escalões e mereceu dos generais americanos os mais efusivos elogios. Essa batalha ficará marcada para sempre na memória dos soldados brasileiros, pelas lições de bravura e competência operacional dos "pracinhas".
-.-.-.-

Fonte: Exérctio Brasileiro
(Adaptação do texto de autoria do Cel Iporan Nunes de Oliveira - Revista do Exército Brasileiro)


Até o próximo post.
Forte Abraço!
Osmarjun

sábado, 15 de março de 2014

Diorama "O Campanário" - Sequência do trabalho...




Sequência do Trabalho

Optei por ir adicionando os itens já sobre a base trabalhada.
Para o terreno utilizei um elemento usado para moldar terra em maquetes de ferreomodelismo, facilmente encontrada em lojas que trabalham com isso. Após a secagem apliquei a grama da Woodland Scenic com o processo dificílimo do "Static Grass Applicator Tabajara" feito a partir de uma mata moscas...


Se você deseja conhecer o processo todo, clique abaixo da foto do produto acabado e verá um tutorial completo da construção no excelente Site Spruemaster do meu bom Amigo Lucas Rizzi:




Seguindo na descrição do Diorama, algumas sepulturas foram construídas de forma rudimentar, sem detalhes, apenas com o monte de terra e acrescentei pedras no em torno delas. 

Abaixo algumas fotos de vista geral para que saibam como ele está:





Ainda restam muitos detalhes de envelhecimento.
As figuras já estão quase todas finalizadas e logo aparecerão nas próximas imagens.

Espero que tenham apreciado...
Até o próximo post.
Forte Abraço!
Osmarjun

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Para Não Esquecermos Jamais...



A TOMADA DEFINITIVA DE MONTE CASTELO
Um Feito Histórico
21/02/1945

No dia 16 de Fevereiro de 1945 o General Critemberger,
comandante do IV Corpo do Exército,deu a seguinte ordem à 1ª Divisão de Infantaria Divisionária:
Atacar o Monte Castelo após a 10ª Divisão de Montanha
ter capturado Mazzancana e guarnecer, mediante ordens, as regiões conquistadas pela 10ª,
a fim de liberá-la para outras operações e realizar uma manobra lateral, pelo fogo, na região entre Falfare e Livorno.
O último ataque ao Monte Castelo foi feito sob comando do General Mascarenhas de Morais, sendo encarregado da ação principal o 1º R.I., e da ação secundária um batalhão do 11° R.I., no caso este ficaria como reserva do comando. A operação deveria ser desencadeada após a conquista da Região de Mazzancana.


Na noite do dia 20 de Fevereiro, o 1º R.I., ocupou cuidadosamente a base de partida (Mazzancana – Bombiana – Le Roncole) onde encontrou um extenso campo minado pelo exército alemão. Ás 5:30 horas da manhã o III /1 R.I., partiu com a missão de atacar frontalmente o Monte Castelo, e na mesma ocasião o I / 1º R.I., iniciou o avanço com a missão de investir pelo flanco.
A 10ª Divisão de Montanha americana foi detida inesperadamente em capela de Ronchidos, fugindo completamente ao plano brasileiro – americano de ataque aos Monte Castelo e Toraccia, mas felizmente o exército alemão estava mais preocupado com a defesa de De la Toraccia, e enquanto a tropa brasileira progredia os americanos seguiam enfrentando forte resistência inimiga e, em face deste imprevisto os brasileiros seguiram sem esperar pelos americanos.


O ataque se desenvolvia tão bem, que às 9:00 horas da manhã foi empregada uma companhia reserva para alimentar o ataque do batalhão Uzeda, e por volta das 14:30 horas o I /1º R.I., conquistou as cotas 930 e 875 e o III / 1º R.I., conquistou a região de Fornello. A partir deste momento foi empregado o II / 1º R.I., enquanto o II / 11º R.I., se aproximava de Abetaia, com uma brilhante cobertura.


Às 16:00 horas o Major Uzeda, comandante do 1º Batalhão solicita que a artilharia bombardeie Monte Castelo, e às 16:20 horas inicia-se o assalto final. Precisamente às 18:00 horas o pelotão do Tenente Aquino atinge o topo do Monte Castelo, seguido dos demais elementos da 1ª Companhia. Ao anoitecer o Monte Castelo já não oferecia resistência, e lá em cima nossos pracinhas comemoravam esta vitória tão árdua e esperada.
Enquanto isto, a 10ª Divisão de Montanha não conseguia atingir ainda o seu objetivo que era o Morro de La Toraccia, e prevendo um possível contra ataque nossa tropa passa a se instalar em posições defensivas para passar a noite. O dia seguinte, foi dedicado a uma vistoria minuciosa das instalações alemãs, que estavam bem protegidas e aquecidas, enquanto nossos soldados enfrentavam um frio enregelante. Esta última investida custou à nossa tropa 87 baixas, enquanto o inimigo abandonou no terreno 30 mortos, e foram feitos 27 prisioneiros.


Concluímos que o sucesso deste ataque deveu-se ao seguinte:
- Abandono do ataque frontal , pois o Monte Castelo só caiu por ataque lateral
- A proteção do flanco esquerdo pela ocupação de Mazzancana pela tropa americana.
- Apoio maciço da aviação 
- Observação aérea ininterruptamente
- Consequência das recorrentes derrotas do inimigo, com acentuada influência no ânimo da tropa.

E assim caiu o Monte Castelo, pela manobra precisa de nossa tropa...

Para nós o Monte Castelo, é um símbolo; para os alemães apenas mais um morro. A diferença é que o Brasil enviou à Europa uma Divisão Expedicionária, enquanto o inimigo dispunha de mais de uma centena de Divisões.

-.-.-.-.-.-


Sem nenhuma dúvida um feito Heróico de nossos Valorosos Pracinhas!

Até o próximo post.
Forte Abraço!
Osmarjun

domingo, 26 de janeiro de 2014

The Church - Inciando um novo trabalho




The Church  (O Campanário)

Começando 2014 com um projeto que iniciei no final do ano passado. Há muito possuía uma ruína de um campanário de um igreja em gesso.
Procurando pela web encontrei um desenho que suponho seja de autoria de um amigo modelista, o Gemerim do Rio Grande do Sul, encontrado em um fórum sobre plastimodelismo acabei vendo muita semelhança com o kit em gesso que possuía, unindo a isso alguns outros kits acabei por compor a cena que estou desenvolvendo.

A idéia original partiu destas três fontes:

Desenho do Campanário que encontrei no fórum 
deve ser do Amigo modelista Gemerim

o pequeno cemitério

deste diorama veio a idéia da árvore e outros pequenos detalhes


O Kit da Igreja

Este kit tem um pequeno campanário, uma escada e porta grande de entrada central. Optei por usar apenas o pequeno campanário e resolvi pelos outros elementos que tinha na minha coleção, eram figuras de alguns kits, umas injetadas em plástico e outras em resina. Complementei o interior do campanário para adicionar duas figuras.

o campanário visto por fora 


adicionei alguns detalhes na parte interna
e ainda adicionarei outros até finalizar o trabalho


Os Portões

A idéia de fazer como a maioria das igrejas européias
que tem um pequeno cemitério ao lado.


A Árvore

construída á partir de fios enrolados e
massa epóxi, depois talhado o tronco e adicinado
a vegetação

Os Kits de Figuras Alemãs

 Kit da Masterbox da Ucrania com figuras bem detalhadas baseados numa cena real, este kit diz respeito a Satlingrado, porém serve bem para qualquer outra cena, em qualquer outro local da Segunda Guerra
baseado numa cena real (veja a foto no alto à direita)


Kit de Figuras Americanas

vou adicionar dois soldados aliados dentro do campanário
como se estivessem na espreita do grupo alemão 


O Padre

Um padre na maioria dos enterros durante a Segunda Guerra,
era um artigo de luxo


Sepulturas

foram construídas por mim em gesso baseadas nas fotos acima

Bom Amigos do blog, estes são os materiais utilizados e a idéia central, 
porém ainda faltam muitos detalhes que na medida que forem 
sendo acrescentados ao Diorama pretendo mostrar aqui.

Até próximo post.
Forte Abraço!
Osmarjun

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Morre Soldado Japonês

Morre soldado japonês que levou 29 anos 
para admitir derrota na guerra


Morreu quinta-feira em um hospital de Tóquio, aos 91 anos, Hiroo Onoda, oficial do Exército imperial japonês.
Ele permaneceu em seu posto na selva, em uma ilha das Filipinas, por 29 anos, se recusando a acreditar que a Segunda Guerra tinha acabado, e voltou ao praticamente irreconhecível Japão em 1974, sendo recebido como herói.
Tudo começou com um simples comando. A última ordem recebida por Onoda no começo de 1945 foi a de permanecer em seu posto e lutar. Fiel a um código militar que ensinava que a morte é preferível à rendição, Onoda, segundo-tenente no exército, ficou para trás na ilha de Lubang, 150 quilômetros a sudoeste da capital filipina Manilha, quando as forças japonesas se retiraram, no momento da invasão norte-americana.
Depois da rendição do Japão, em agosto daquele ano, havia milhares de soldados japoneses espalhados pela China, Sudeste Asiático e Pacífico Ocidental. Muitos desses homens foram capturados ou voltaram para casa, enquanto centenas optaram por se esconder, em lugar de se render ou cometer suicídio. Muitos morreram de fome ou vítimas de doenças. Alguns poucos sobreviventes se recusaram a acreditar nos panfletos lançados de aviões e nos anúncios de rádio que os informavam da derrota japonesa na guerra.
Onoda, um oficial de inteligência e treinado em táticas de guerrilha, e três soldados que estavam com ele encontraram panfletos que proclamavam o fim da guerra, mas acreditavam que se tratasse de um truque de propaganda. Construíram cabanas de bambu; comiam bananas, coco e arroz roubado de uma aldeia; e matavam vacas para obter carne.
Atormentados pelo calor dos trópicos, pelos ratos e mosquitos, eles remendavam seus uniformes e mantinham seus fuzis em condição de operar.
Considerando-se ainda em guerra, eles escapavam às patrulhas de busca norte-americanas e filipinas, e atacavam ilhéus que consideravam ser guerrilheiros inimigos; cerca de 30 moradores da ilha morreram em escaramuças com os japoneses, ao longo dos anos. Um dos soldados da unidade de Onoda se rendeu às forças filipinas em 1950, e dois outros foram mortos em combate contra unidades da polícia local envolvidas em busca pelos renegados, em 1954 e 1972.


O Soldado Onoda

O último remanescente, Onoda que havia sido oficialmente declarado morto em 1959 - foi localizado por Norio Suzuki, um estudante que visitou a ilha para procurar por ele, em 1974.
O tenente rejeitou os apelos do estudante para que retornasse ao Japão, insistindo em que ainda estava à espera de ordens. Suzuki voltou ao Japão com fotos de Onoda, e o governo japonês enviou uma delegação à ilha, incluindo o irmão do tenente e seu antigo comandante, para encerrar formalmente a sua missão.
Em Manilha, Onoda, ainda usando os restos de seu uniforme, entregou sua espada a Marcos, que o perdoou pelos crimes cometidos durante o período em que ele continuou acreditando estar em guerra.
"Tive a sorte de poder me dedicar ao dever durante meus anos de juventude e de maior vigor", ele afirmou. Perguntado sobre seus pensamentos durante todos aqueles anos na selva, ele respondeu: "Pensava só em cumprir meu dever".
Depois da recepção calorosa que recebeu no Japão, Onoda foi examinado por médicos, que o encontraram em estado de saúde espantosamente bom. Ele recebeu uma pensão das forças armadas e assinou um contrato de US$ 160 mil para publicar suas memórias, "Sem Rendição: Meus 30 anos de Guerra", escritas por um ghost writer. Sua história ganhou circulação mundial em livros, artigos e documentários, mas Onoda decidiu tentar levar uma vida normal.
Ele saía para dançar, aprendeu a dirigir e viajou pelas ilhas japonesas. Mas era um homem sem raízes, em um país desconhecido, desiludido com o materialismo e incapaz de aceitar as mudanças. "Há tantos edifícios e automóveis em Tóquio", ele disse. "A televisão pode ser conveniente, mas não tem influência sobre minha vida aqui".
Em 1975, ele se mudou para uma colônia japonesa em São Paulo, Brasil, e se tornou pecuarista; em 1976, Onoda se casou com Machie Onuku, que ensinava como realizar a cerimônia de chá tradicional japonesa. Em 1984, eles voltaram ao Japão e fundaram a Escola Onoda de Natureza, um acampamento que ensina aos jovens como sobreviver na natureza. Em 1996, ele revisitou Lubang e doou US$ 10 mil a uma escola da ilha.
Nos últimos anos, ele dividiu seu tempo entre o Japão e o Brasil, do qual se tornou cidadão honorário em 2010.
Hiroo Onoda nasceu em 19 de março de 1922, em Kainan, Wakayama, no centro do Japão, um dos sete filhos de Tanejiro e Tamae Okoda. Aos 17 anos, começou a trabalhar para uma companhia de comércio em Wuhan, China, que havia sido ocupada pelas forças japonesas em 1938.
Em 1942, se alistou no exército japonês, no qual foi selecionado para treinamento especial, e estudou na Escola Nakano, o centro de treinamento do Exército para seus oficiais de inteligência. Ele estudou guerrilha, filosofia, História, artes marciais, propaganda e operações clandestinas.
No final de dezembro de 1944, foi enviado a Lubang, uma ilha estratégica de 25 quilômetros de comprimento por 10 quilômetros de largura no acesso sudoeste à baía de Manilha e à ilha de Corregidor, com a missão de sabotar as instalações portuárias e uma pista de pouso, a fim de prejudicar a iminente invasão norte-americana. Mas os oficiais superiores presentes na ilha revogaram essas ordens e concentraram suas atenções nos preparativos para a evacuação da guarnição japonesa.
Quando as forças norte-americanas desembaraçaram em Lubang, em 28 de fevereiro de 1945, e os últimos japoneses fugiram ou foram mortos, o major Yoshimi Taniguchi deu a Onoda suas ordens finais, de ficar na ilha e lutar. "Pode demorar três anos, pode demorar cinco anos, mas não importa o que aconteça voltaremos para resgatá-lo", o major prometeu.
Passados 29 anos, o major reformado, que depois da guerra se tornou livreiro, retornou a Lubang a pedido de Tóquio, a fim de cumprir a promessa. O Japão havia perdido a guerra, e a missão do tenente estava encerrada. O esfarrapado oficial fez uma saudação formal, e chorou.

Fonte: Folha de São Paulo edição de 17/01/2014

Forte Abraço!
Osmarjun